Saiba como identificar os sintomas de Mpox e quando procurar atendimento

Por Nossa Hora
Segunda-Feira, 23 de Fevereiro de 2026 às 08:40
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Febre repentina, dor de cabeça, ínguas no pescoço, axilas ou virilha e, principalmente, o surgimento de lesões na pele que evoluem para bolhas e crostas estão entre os principais sinais de Mpox, segundo o Ministério da Saúde. A orientação é procurar atendimento ao perceber erupções cutâneas associadas a esses sintomas, sobretudo após contato íntimo ou prolongado com caso suspeito ou confirmado da doença.

A Mpox é causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus e pode provocar manifestações que variam em intensidade. As lesões costumam começar como manchas ou pequenas elevações na pele, evoluem para vesículas e pústulas e, posteriormente, formam crostas que cicatrizam ao longo de duas a quatro semanas. 

Coordenador do serviço de infectologia do Hospital Mater Dei Salvador, o médico Victor Castro Lima explica que “Mpox é um doença caracterizada pelo aparecimento de lesões na pele. As lesões mais comuns são chamadas de vesículas, que são como bolhas, e lembram muito as lesões da catapora. Algumas dessas lesões podem parecer ter pus, que é o que chamamos de pústulas, e outras tem um centro umbilicado, ou seja, com um ponto central”.

Ele acrescenta que “essas são algumas características que ajudam a reconhecer essas lesões. Outra característica importante é que as lesões podem ser bastante dolorosas e causar desconforto. Além disso, as lesões na pele costumam ser precedidas por um quadro de febre, dor no corpo e aparecimento de gânglios”. Segundo o infectologista, “o reconhecimento e a suspeita da Mpox não é simples e muitas vezes a condição pode parecer despercebida e o diagnóstico demorar para ser dado”.

O médico reforça a necessidade de avaliação profissional diante de qualquer alteração cutânea de início súbito. “Por isso que diante do aparecimento de qualquer lesão na pele diferente, de forma súbita, precedida por febre e dor no corpo, é importante passar por uma avaliação médica para verificar do que se trata”, afirma.

De acordo com o Ministério da Saúde, a presença de linfonodos inchados é uma característica que ajuda a diferenciar a Mpox de outras doenças com erupções semelhantes, embora o quadro possa ser confundido com varicela, herpes e outras infecções cutâneas. O diagnóstico ocorre por exame específico realizado a partir de material coletado das lesões e processado em laboratórios públicos de referência.

Sobre as formas de transmissão, Victor Castro Lima explica que “a principal forma de transmissão de pessoa para pessoa do Mpox é o contato direto com as lesões. Por isso que, ao aparecimento de lesões na pele, deve-se evitar que outras pessoas tenham contato com a mesma”. Ele observa ainda que “desde 2022, quando tivemos a pandemia de Mpox, tem se observado um aumento de casos que apresentam lesões nas regiões genitais, fazendo com que a atividade sexual, principalmente sem o uso de preservativos, fosse também uma forma de se infectar”. 

O infectologista acrescenta que “outra forma de transmissão é por via respiratória, mas essa é uma forma menos comum e que exige um longo tempo de contato com a pessoa que está infectada”. Diante disso, a orientação do Ministério da Saúde é que pessoas com suspeita da doença evitem contato próximo até a avaliação médica e adotem medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos.

Em relação ao tratamento, ele afirma que “não existe um tratamento específico contra o Mpox eficaz que esteja disponível. As medicações antivirais que já foram testadas não demonstraram um benefício significativo e não existe uma recomendação de uso de rotina”. Segundo o médico, “o tratamento, portanto, é o cuidado com as lesões e uso de medicações para controle de dor, febre e coceira, por exemplo”.

Apesar da ausência de terapia específica, ele destaca que “apesar de não ter um tratamento específico, o Mpox é uma doença de baixa letalidade, ou seja, a maioria dos casos são leves e autolimitados, não evoluem para uma gravidade clínica e tem baixo risco de óbito”. Sobre o cenário atual, o especialista orienta que “a orientação para a população geral no cenário atual é de atenção. Procurar atendimento médico caso surja o aparecimento de lesões na pele e evitar que pessoas tenham contato com essas lesões”. Ele também ressalta medidas preventivas. “É sempre importante também reforçar o uso de preservativos durante as atividades sexuais, tendo em vista que muitas vezes as lesões aparecem em regiões genitais”, afirma.

Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado informou que o fluxo de vigilância prevê notificação imediata, investigação e confirmação laboratorial específica de todos os casos suspeitos. A Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde atua em articulação com o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde e com apoio do Laboratório Central de Saúde Pública Professor Gonçalo Moniz para análise das amostras e encerramento dos casos. 

Ao menos 62 casos de Mpox foram confirmados no país em 2026, segundo o Ministério da Saúde e autoridades estaduais. O estado de São Paulo concentra 44 diagnósticos confirmados e 71 casos suspeitos até fevereiro, conforme o painel do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde.

Na Bahia, sete casos foram notificados como suspeitos em 2026, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), que até a última sexta-feira (20), não havia registrado casos de óbitos pela Mpox. Em nota, a pasta informou que cinco casos da doença foram descartados, após resultado laboratorial negativo, um foi reclassificado como varicela e um caso é considerado importado, envolvendo paciente oriundo de Osasco (SP) que chegou à Bahia com sintomas; a retificação para São Paulo está em andamento.



Por Livia Veiga

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