Bahia registra 460 casos de câncer infantil e especialistas reforçam atenção

Por Nossa Hora
Sexta-Feira, 20 de Fevereiro de 2026 às 08:26
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O diagnóstico precoce pode ser decisivo na vida de uma criança com câncer. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento e de preservação da qualidade de vida. Em 2025, a Bahia registrou 460 novos casos entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, segundo dados do Painel Oncologia Brasil, do Ministério da Saúde (DATASUS). No país, foram 11.984 diagnósticos no mesmo período. Embora o número ainda seja expressivo, ele representa redução em relação a 2024, quando o Brasil contabilizou 15.811 casos e a Bahia registrou 692 notificações.

Os dados foram compilados pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) e reforçam a importância da informação e do acesso rápido ao atendimento especializado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada três minutos uma criança morre no mundo em decorrência do câncer, o que torna o enfrentamento da doença um desafio global de saúde pública.

No Brasil, o câncer infantojuvenil corresponde a cerca de 3% de todos os casos oncológicos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), diferentemente dos tumores em adultos, esse tipo costuma atingir células do sangue e tecidos de sustentação e, por ser formado majoritariamente por células embrionárias indiferenciadas, geralmente apresenta melhor resposta ao tratamento quando identificado precocemente. Cerca de 10% dos casos estão associados a fatores genéticos ou hereditários.

Para o pediatra Tiago Dalcin, membro da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente, a conscientização é uma ferramenta essencial para transformar estatísticas em resultados positivos. “Para a SOBRASP, o enfrentamento do câncer infantojuvenil começa com informação e atenção aos sintomas, garantindo segurança no cuidado e mais qualidade de vida para as crianças e adolescentes e suas famílias”, afirma.

Tipos e sintomas

Entre os tipos mais frequentes estão as leucemias, que representam aproximadamente 30% dos casos; os tumores do Sistema Nervoso Central (SNC); e os linfomas, que afetam o sistema linfático. Também aparecem com incidência relevante o neuroblastoma, os sarcomas ósseos e de partes moles e o retinoblastoma, mais comum em crianças menores de cinco anos.

Os sintomas, muitas vezes semelhantes aos de doenças comuns na infância, exigem atenção quando persistem sem explicação clínica. Palidez, hematomas frequentes, sangramentos, dores ósseas, caroços indolores, perda de peso inexplicada, tosse persistente, sudorese noturna, dores de cabeça recorrentes e vômitos matinais estão entre os sinais que devem ser investigados por profissionais de saúde.

Além do impacto clínico, o câncer infantil provoca mudanças significativas na rotina das famílias. Em muitos casos, pais e responsáveis precisam se afastar do trabalho e enfrentar deslocamentos para centros especializados, o que amplia os desafios emocionais e financeiros. O acompanhamento multiprofissional e o suporte psicológico são apontados como fundamentais ao longo do tratamento.

“O cuidado com o câncer infantil vai muito além do tratamento da doença. É um trabalho feito por uma equipe multiprofissional que atua para reduzir os impactos físicos e emocionais. Humanizar o cuidado é entender que essa família vive uma ruptura profunda na rotina e precisa ser acolhida durante todo o processo”, destaca o pediatra Tiago Dalcin. 




Por Rayllanna Lima

Foto: Instituto do Câncer Infantil/Divulgação