Circulação de vírus respiratórios reforça importância da vacinação contra a gripe
O avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas em saúde, inclusive na Bahia. Dados atualizados do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que esse aumento está associado à circulação simultânea de vírus respiratórios. Nas últimas semanas epidemiológicas, a Influenza A passou a representar 27,4% dos casos positivos, ficando atrás apenas do rinovírus, que lidera com 45,3%. Também seguem em circulação o vírus sincicial respiratório (VSR), com 17,7%, e o SARS-CoV-2, responsável por 7,3% das infecções.
Diante desse cenário, a imunização contra a gripe ganha ainda mais urgência, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. “A vacinação é a estratégia mais eficaz para prevenir formas graves de influenza, reduzindo significativamente hospitalizações e mortalidade”, afirma a médica imunologista da Clínica IBIS, Mayra Andrade.
Segundo a especialista, a proteção não deve ser deixada apenas para o período de pico. “Como há mudanças frequentes nos vírus circulantes e uma queda progressiva da imunidade ao longo do tempo, a vacinação precisa ser feita todos os anos. O ideal é se imunizar antes do aumento mais intenso da circulação viral”, explica.
Algumas populações apresentam maior risco de desenvolver complicações relacionadas à influenza, como gestantes e puérperas, idosos, crianças menores de cinco anos, além de pessoas com doenças crônicas, imunossupressão e obesidade grave. A recomendação, no entanto, se estende a toda a população a partir dos seis meses de idade.
“A vacina é indicada de forma ampla e tem poucas contraindicações, sendo a principal o histórico de reação alérgica grave a doses anteriores ou a componentes da vacina. Em casos específicos, a avaliação médica individualizada é fundamental”, orienta.
Por que os casos aumentam antes do inverno?
O comportamento sazonal dos vírus respiratórios já é conhecido, mas pode ser intensificado por fatores ambientais e mudanças no dia a dia. “No outono e inverno, as temperaturas mais baixas e o ar mais seco favorecem a maior estabilidade e transmissão de vírus como o influenza. Além disso, é um período em que as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação, o que aumenta o risco de infecção”, explica Mayra. “Nessas estações, há maior proximidade entre as pessoas e menor circulação de ar, o que facilita a transmissão por gotículas e aerossóis, especialmente em ambientes como transporte público, escolas e locais de trabalho”, acrescenta.
Embora muitos casos de gripe evoluam de forma leve, alguns sintomas podem indicar agravamento do quadro e necessidade de avaliação médica imediata. Entre os principais sinais de alerta estão falta de ar, respiração acelerada, febre persistente por mais de três dias — ou que retorna após melhora inicial —, além de confusão mental ou sonolência.
Em crianças, também devem ser observados sinais como esforço respiratório (tiragens e batimento de asas do nariz), gemência, irritabilidade, palidez ou apatia. “Essas manifestações indicam possível comprometimento respiratório ou sistêmico e exigem avaliação médica imediata. Em alguns casos, a saturação de oxigênio abaixo de 94% também é um sinal de alerta importante”, reforça a imunologista.
Vacina protege contra formas graves
A vacina contra a gripe estimula a produção de anticorpos antes da exposição ao vírus, reduzindo o risco de evolução para quadros mais graves. Sua composição é atualizada anualmente com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que monitora os vírus em circulação no mundo. “Isso permite que a vacina seja formulada com as cepas com maior probabilidade de circulação em cada temporada, aumentando sua efetividade”, destaca Mayra.
Atualmente, a vacina disponibilizada na rede pública é a trivalente, que protege contra três cepas do vírus influenza. Já a vacina tetravalente, disponível na rede privada, amplia essa cobertura ao incluir uma segunda linhagem do vírus influenza B. “A principal diferença é a amplitude da cobertura. A tetravalente protege contra quatro cepas, o que aumenta a proteção contra os vírus em circulação e reduz o risco de infecção por linhagens não contempladas na vacina anterior”, explica.
Sobre a Clínica IBIS
A Clínica IBIS é um centro de excelência em imunoterapia, dedicado ao cuidado integral de pacientes com doenças autoimunes e imunomediadas. Com atuação baseada em inovação, ética e acolhimento, a instituição oferece tratamentos avançados aliados a um atendimento humanizado. A clínica também conta com um portfólio de imunização para diferentes faixas etárias, incluindo vacinas do calendário adulto e infantil.