Alergia ou doença autoimune? Entenda as diferenças e quando procurar ajuda
Com a chegada do verão, cresce a procura por atendimento médico devido ao aumento de alergias respiratórias e sazonais. Segundo a médica alergologista Leila Borges, da Clínica IBIS, o calor e a umidade característicos desta estação criam o ambiente ideal para a proliferação de ácaros e fungos — dois dos principais gatilhos das doenças atópicas. “Em muitas regiões, há também maior liberação de pólens, que pode favorecer a exacerbação dos sintomas respiratórios”, explica.
Além disso, o uso mais frequente do ar-condicionado contribui para irritações nas vias aéreas, já que o aparelho resseca o ambiente, acumula poeira e expõe o corpo a mudanças bruscas de temperatura. A especialista também alerta para outro fator comum no período: a maior concentração de pernilongos, que intensifica reações alérgicas a picadas de insetos.
No caso da dermatite atópica, o verão costuma ser ainda mais desafiador. “O suor, o aumento da temperatura corporal e o atrito com roupas sintéticas podem desencadear coceira, inflamação e piora das lesões”, ressalta Borges.
Alergia x Doença Autoimune: qual a diferença?
Embora ambas envolvam o sistema imunológico, alergias e doenças autoimunes têm mecanismos distintos. Borges explica que, enquanto a alergia surge como uma reação exagerada a agentes externos, como poeira, alimentos ou medicamentos, as doenças autoimunes representam uma falha de reconhecimento do próprio corpo.
“As doenças autoimunes acontecem quando o sistema imunológico perde a capacidade de reconhecer estruturas próprias do organismo e passa a atacá-las, gerando inflamação persistente”, afirma. Entre elas estão lúpus, artrite reumatoide e tireoidites autoimunes.
Alguns sinais podem confundir o paciente e fazer com que ele demore a buscar avaliação especializada. Cansaço, mal-estar, manchas na pele, coceira, inchaço, olhos vermelhos e alterações respiratórias podem aparecer tanto em quadros alérgicos quanto em algumas doenças autoimunes. Essa sobreposição de sintomas frequentemente leva o paciente a minimizar o quadro até que ele se torne mais intenso ou persistente.
Investigação médica
A avaliação começa com uma consulta clínica detalhada. De acordo com a alergologista, história e exame físico são fundamentais na condução da investigação.
Para alergias, podem ser solicitados testes cutâneos, dosagem de IgE total e específica, hemograma com eosinófilos e, no caso de suspeita de asma, provas de função pulmonar. “A escolha do exame é guiada conforme o que se pretende investigar”, reforça.
Já as doenças autoimunes exigem outros marcadores, como FAN, autoanticorpos específicos (anti-DNA, ENA), exames de função tireoidiana com autoanticorpos, dosagem de complemento (C3, C4) e indicadores de inflamação sistêmica, como PCR e VHS.
“O padrão de inflamação escolhido pelo nosso organismo, em resposta à presença do autoanticorpo, é o que diferencia as doenças autoimunes das alergias”, conclui.
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