Redução de oferta regional faz preço da cebola disparar 66,17% em dezembro

Por Nossa Hora
Quarta-Feira, 07 de Janeiro de 2026 às 09:07
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Quem corta cebola já sabe: é difícil não lacrimejar. Em dezembro, porém, as lágrimas não vieram da cozinha, mas do bolso, pois o preço do item, essencial na mesa do brasileiro, disparou e puxou para cima o valor da cesta básica, que registrou leve alta no período.

De acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), dos 25 produtos da Cesta Básica de Salvador, 16 registraram alta nos preços no último mês do ano e a cebola foi a grande vilã do orçamento doméstico, com um aumento de preços na ordem de 66,17%. Como explica o economista Denilson Lima, o motivo foi a redução na oferta regional em Irecê (BA) e no Vale do São Francisco (BA/PE). “A ocorrência de chuvas em ambas as regiões restringiu a disponibilidade do produto, intensificando o cenário de diminuição da oferta no Nordeste”, detalha.

Mas, o valor da Cesta Básica de Salvador no último mês não foi impactado apenas pela cebola, mas pela alta de outros itens: banana prata (9,25%), flocão de milho (8,47%), macarrão (5,15%), óleo de soja (4,99%), carne de primeira (4,76%), leite (2,97%), maçã (2,76%), queijo prato (2,71%), tomate (2,22%), batata inglesa (2,00%), pão francês (1,48%), arroz (1,13%), carne de segunda (0,97%), farinha de mandioca (0,83%) e a carne de sertão (0,18%).

Ainda conforme o especialista, a explicação para a elevação nos preços se deve, além dos fatores climáticos, aos níveis da oferta de alguns produtos, que segundo ele, foram as principais variáveis que corroboraram para o aumento do custo. Os dados da SEI apontam que a Cesta Básica de Salvador registrou, no mês de dezembro de 2025, uma elevação de 2,69% em relação ao mês anterior, o que em termos nominais equivale a uma alta de R$ 14,98.

Com isso, para muitos soteropolitanos, a solução foi deixar alguns ingredientes fora do carrinho de supermercado no período. “O jeito foi comprar mais ovo e frango, porque viver de carne e queijo está difícil. A gente sempre gasta mais no fim do ano e com os preços assim, não dá pra esbanjar”, disse a auxiliar de serviços gerais, Maria Aparecida Silva.

A alta ficou perceptível ainda no subconjunto dos ingredientes relativos ao almoço soteropolitano, que segundo a SEI é composto por feijão, arroz, carnes, farinha de mandioca, tomate e cebola. Neste caso, os preços em dezembro ficaram 3,31% mais elevados; enquanto para os gêneros alimentícios próprios da refeição matinal soteropolitana (café, leite, açúcar, pão, manteiga, queijos e flocão de milho), o aumento foi de 1,09% no mês de dezembro de 2025.

De acordo com a pasta, o tempo de trabalho despendido por um trabalhador soteropolitano para obter uma Cesta Básica em dezembro foi de 89 horas e 42 minutos. Isso equivale ao comprometimento de 40,78% do valor líquido de um salário-mínimo de R$ 1.404,15, depois de descontado o valor de 7,50% da contribuição para a Previdência Social.

O estudo divulgado pela superintendência analisa ainda os doze meses de 2025, quando a Cesta Básica de Salvador apresentou aumento em sete. “Mesmo assim, no acumulado do ano – janeiro a dezembro – a referida Cesta terminou com redução de 0,41%”, destaca a SEI. Em dezembro do ano passado, além dos itens citados pela alta registrada, os preços do ovo de galinha (0,00%) se mantiveram estáveis. Além disso, oito produtos apresentaram redução: cenoura (-4,73%), linguiça calabresa (-4,20%), café moído (-2,45%), feijão (-2,20%), queijo muçarela (-1,58%), açúcar cristal (-1,51%), manteiga (-0,59%) e o frango (-0,38%).




Por Livia Veiga

Foto: João Godinho/ OTempo

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