Comida e transporte mais caros fazem inflação disparar em Salvador

Por Nossa Hora
Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2026 às 08:29
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Começar 2026 ficou mais caro para quem vive na Região Metropolitana de Salvador. O preço dos alimentos e do transporte subiu em janeiro e fez a prévia da inflação na capital baiana acelerar, alcançando 0,47%, resultado acima da média nacional e que colocou Salvador com a terceira maior alta do país, segundo dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice, medido pelo IPCA-15, avançou em relação a dezembro de 2025, quando havia sido registrado em 0,41%, e ficou bem acima da taxa nacional, que fechou o mês em 0,20%. Entre as 11 regiões pesquisadas, Salvador ficou atrás apenas das regiões metropolitanas de Recife (0,64%) e do Rio de Janeiro (0,54%).

De acordo com o IBGE, o resultado é o mais alto para um mês de janeiro na Região Metropolitana de Salvador nos últimos três anos, desde 2023, quando o indicador chegou a 0,60%. O instituto destaca que a pressão inflacionária foi ampla, atingindo a maior parte dos grupos pesquisados.

“Em janeiro, houve aumento de preços em oito dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o índice, o que mostra uma pressão inflacionária relativamente disseminada sobre o consumo das famílias da Região Metropolitana de Salvador”, informou o instituto.

O principal impacto veio do grupo alimentação e bebidas, que subiu 0,67% no mês e exerceu a maior influência no índice, por ter o maior peso no orçamento das famílias. A alta foi observada tanto nos produtos consumidos em casa quanto na alimentação fora do domicílio.

“Os maiores aumentos foram registrados nos tubérculos, raízes e legumes, com destaque para a cebola, que subiu 28,64%, e o tomate, com alta de 17,08%. A alimentação fora do domicílio, como almoço e jantar, também apresentou elevação importante, de 1,08%”, apontou o IBGE.

Outro grupo que pressionou o custo de vida foi o de transportes, com alta de 0,66% em janeiro, a segunda maior contribuição para o resultado geral. O aumento foi puxado, principalmente, pela gasolina, que teve elevação de 0,88% e foi o item que mais impactou a inflação no mês, além do aluguel de veículos, que disparou 26,87%, e do ônibus urbano, com reajuste de 1,15%.

A queda no preço das passagens aéreas, de 3,00%, ajudou a conter uma alta ainda maior do grupo, mas não foi suficiente para neutralizar o peso dos demais itens ligados ao deslocamento diário da população.

O grupo comunicação apresentou a maior variação percentual de janeiro, com alta de 0,77%, influenciada pelo aumento no preço de aparelhos telefônicos e dos combos de telefonia, internet e TV por assinatura, embora tenha peso menor no cálculo do índice.

Já a única deflação do mês foi registrada no grupo habitação, que recuou 0,50%, puxado pela queda da energia elétrica residencial (-2,43%) e do gás de botijão (-1,97%). Apesar disso, o aluguel residencial subiu 1,50% e limitou um alívio maior no grupo.

Mesmo com a redução pontual em janeiro, a habitação segue como o grupo com a maior alta acumulada em 12 meses na Região Metropolitana de Salvador, com variação de 7,59%, segundo o IBGE.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 na região chegou a 4,00%, abaixo do índice nacional, de 4,50%, e o terceiro menor entre as áreas pesquisadas. Ainda assim, o resultado de janeiro reforça a percepção de um início de ano mais pesado para o bolso do consumidor soteropolitano, especialmente nos gastos com alimentação e transporte, que afetam diretamente a rotina das famílias. 

Por Rayllanna Lima

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