Chocolate dispara 24% e pesa no bolso na Páscoa na RMS

Por Nossa Hora
Sábado, 14 de Março de 2026 às 17:49
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A ceia de Páscoa deste ano terá um sabor agridoce para o bolso do consumidor na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Enquanto o chocolate disparou mais de 24% em um ano, os itens básicos para o tradicional almoço de Sexta-feira Santa ficaram mais baratos e ajudaram a reduzir o custo médio da chamada “cesta pascal”.

Um estudo feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) aponta que a lista com 11 produtos tradicionalmente consumidos na data registrou deflação de 2,84% no acumulado de 12 meses. O movimento contrasta com a inflação geral da RMS, que subiu 3,31% no mesmo período.

O levantamento foi elaborado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e considera alimentos associados à refeição típica da data, como pescados, arroz, tomate, azeite de oliva, ovos e panificados, além de produtos ligados ao consumo de chocolate.

Entre os itens que mais contribuíram para a queda da cesta estão o alho (-26,87%) e o arroz (-26,81%), seguidos pelo tomate (-24,04%). O azeite de oliva, que havia sido um dos principais responsáveis pela alta dos preços no ano passado, também deu trégua e recuou 18,24%.

Segundo o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, o movimento reflete uma mudança relevante em relação ao cenário observado em 2025. “Os alimentos que compõem a lista de compras para o prato típico da Páscoa, à base de pescado, apresentam, em sua maioria, queda de preços em um ano. Os destaques são o alho e o arroz, com reduções quase idênticas de 26,87% e 26,81%, respectivamente. O alho, inclusive, havia registrado alta de 36,62% no ano passado”, explica.

Também registraram redução de preços a cebola (-14,63%) e o ovo de galinha (-3,23%), reforçando o alívio nos custos da refeição tradicional. Já os pescados tiveram alta média de 2,34%, mas ainda abaixo do aumento de 5,51% registrado em 2025.

O contraponto negativo está no chocolate. De acordo com o levantamento, barras e bombons ficaram, em média, 24,33% mais caros, enquanto o chocolate

em pó e o achocolatado subiram 17,56% no período analisado. Dietze explica que o aumento está ligado ao comportamento do mercado internacional do cacau. “A alta foi impulsionada por problemas na safra africana, que elevaram fortemente o preço do cacau no mercado internacional. Embora a commodity tenha recuado depois, essa redução ainda não chegou às prateleiras”, afirma.

O economista observa ainda que o ovo de Páscoa não aparece isoladamente nos índices de inflação, por se tratar de um produto sazonal. Mesmo assim, a tendência é de preços elevados, já que, além do chocolate mais caro, os produtos costumam incorporar custos adicionais com embalagem, logística e exposição nos supermercados.

Apesar do encarecimento dos doces, a expectativa do setor é de crescimento nas vendas. A Fecomércio-BA projeta que o comércio da região movimente cerca de R$ 7,6 bilhões em abril, o que representa alta de 3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os supermercados devem concentrar boa parte desse movimento, impulsionados pela compra dos ingredientes utilizados nas refeições familiares da data. Já o desempenho específico das lojas especializadas em chocolate não pode ser medido separadamente, pois elas estão incluídas no grupo “Outras Atividades”, cuja expectativa de crescimento é de 1,5%.

Para o presidente do Sistema Comércio-BA, Kelsor Fernandes, o cenário econômico também contribui para sustentar o consumo. “Com a queda nos preços de parte dos insumos da refeição de Páscoa, o momento tende a ser mais tranquilo para as compras. A principal atenção deve ficar nos chocolates, mas a variedade de tamanhos e sabores permite manter a tradição sem comprometer tanto o orçamento”, avalia.





Por Rayllanna Lima

Foto: Romildo de Jesus





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