Wagner admite articulação para trocar Jerônimo da chapa

Por Nossa Hora
Sexta-Feira, 20 de Fevereiro de 2026 às 07:14
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O senador Jaques Wagner (PT) admitiu que houve articulação interna para substituir o governador Jerônimo Rodrigues (PT) como candidato à reeleição em 2026 e afirmou ter atuado diretamente junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para evitar a mudança. A declaração foi dada em entrevista ao Blog do Vila e divulgada ontem (19).

Segundo Wagner, a discussão sobre a chapa governista ultrapassou o ambiente político da Bahia e chegou ao núcleo nacional do partido. “Realmente alguns começaram a cogitar uma troca de candidatos. Eu sou contra você romper a naturalidade da política. Qual é a naturalidade? A reeleição”, disse. O senador relatou que levou sua posição diretamente ao presidente e afirmou ter recebido respaldo. “Eu realmente disse ao presidente: vamos manter a naturalidade política. Ele, como respeita muito a nossa caminhada aqui na Bahia, acolheu”, declarou.

Sem citar nomes, Wagner confirmou que o debate surgiu em meio a avaliações internas consideradas mais sensíveis para o governador em pesquisas qualitativas. Ainda assim, ele comparou o cenário ao processo eleitoral anterior e defendeu a manutenção do atual chefe do Executivo estadual. “Naquela época disseram que eu estava maluco de sair com Jerônimo. No final, eu não estava maluco, eu estava com a certeza do que a gente tinha para apresentar”.

O senador também mencionou números recentes para sustentar a candidatura. “Jerônimo é o nosso candidato, ele é o governador, tem avaliação positiva. A última avaliação dele bateu 52%, então não vejo o porquê [de substituir]”, afirmou.

Ao comentar a possível composição majoritária com Jerônimo disputando o governo e ele próprio ao lado do ministro Rui Costa nas vagas ao Senado, Wagner rejeitou a expressão "puro-sangue" usada por adversários e até por aliados. “Eu prefiro chamar de 'chapa GGG'. É 'puro G'. Só tem governador que trabalhou muito pela Bahia”, disse.

Mesmo sendo um dos principais articuladores do grupo, o senador ressaltou que a decisão final passa pelo governador. “Quem comanda essas decisões, obviamente tudo é compartilhado, mas quem comanda é o governador”, pontuou.

Wagner afirmou ainda que o anúncio oficial da chapa, inicialmente previsto para janeiro, foi adiado e deve ocorrer após a viagem internacional de Jerônimo e Lula à Ásia. Ele também sinalizou apoio à permanência do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) na composição, o que ampliaria a aliança governista. “Eu sou daqueles que acham que o time que está ganhando não deve mexer. O Geraldinho foi super importante em 2022, quando trouxe de volta o MDB”.

O senador minimizou ainda os efeitos da derrota de Geraldo nas eleições municipais de 2024 e adotou tom descontraído ao comentar a dinâmica política. “Quem está na política e só quer ver aplausos vai ter que sair. Porque a política tem aplausos, mas às vezes tem choro. Tem hora que eu tomo uísque para comemorar a vitória e tem hora que eu tomo uísque para afundar a derrota”, brincou Jaques Wagner.




Foto: Divulgação/Ascom