Tomate chega a R$ 13 o quilo e pesa no bolso dos consumidores em Salvador

Por Nossa Hora
Quinta-Feira, 05 de Novembro de 2026 às 07:47
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Quem vai às compras em Salvador tem encontrado um motivo a mais para reclamar dos preços dos alimentos. O tomate, ingrediente presente no preparo de saladas, molhos e diversas refeições, tem sido vendido por valores entre R$ 9,80 e R$ 13 o quilo em feiras livres, mercados e mercearias de bairro. A diferença depende do estabelecimento e da qualidade do produto. Com o aumento, consumidores têm procurado alternativas para economizar e evitar que o alimento pese ainda mais no orçamento doméstico

Na Feira das Sete Portas e na Feira de São Joaquim, a alta chama a atenção de quem costuma comprar frutas e verduras semanalmente. Para alguns consumidores, a saída é levar uma quantidade menor ou substituir o tomate por outros alimentos.

A consumidora Maria de Lourdes, que costuma fazer compras em feiras livres, conta que precisou mudar os hábitos. “Antes eu comprava uma quantidade maior, mas agora preciso olhar o preço e escolher o que realmente vou levar. Quando uma coisa aumenta, a gente acaba tendo que diminuir a quantidade de outra”, relata.

Entre os comerciantes, a preocupação também é com a redução das vendas. O preço de compra mais elevado acaba sendo repassado ao consumidor, mas nem sempre o reajuste significa maior lucro para quem trabalha nas feiras.

O feirante José Carlos afirma que o valor pago aos fornecedores influencia diretamente o preço nas bancas. Segundo ele, quando o tomate chega mais caro, o comerciante precisa reajustar o produto, mesmo sabendo que isso pode afastar parte dos clientes.

Os números confirmam a percepção de quem frequenta os estabelecimentos. De acordo com levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o tomate ficou 25,76% mais caro em Salvador em outubro. Foi a maior alta entre os 25 produtos que compõem a cesta básica da capital baiana. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4).

O aumento contribuiu para que o custo da cesta básica passasse de R$ 608,50, em setembro, para R$ 618,42, em outubro. A diferença foi de R$ 9,92, equivalente a uma elevação de 1,63% em apenas um mês.

O tomate não foi o único alimento a apresentar aumento. O macarrão ficou 25,11% mais caro, enquanto a cebola registrou elevação de 20,95%. Por outro lado, o flocão de milho teve redução de 23,08%, e a batata inglesa ficou 14,85% mais barata.

Clima influencia a produção

Entre os fatores que ajudam a explicar a alta estão as condições climáticas nas regiões produtoras. Segundo o economista da SEI Denilson Lima, as chuvas e as temperaturas mais baixas prejudicaram o desenvolvimento dos frutos, atrasaram o amadurecimento e reduziram a oferta no mercado.

A situação também foi observada nos meses anteriores. Em setembro, o tomate já havia registrado aumento de 43,75% em Salvador. Na ocasião, o preço médio do quilo passou de R$ 4,32 para R$ 6,21. Em agosto, o movimento tinha sido contrário, com redução de 27,64%.

A possibilidade de novos reajustes dependerá do comportamento da produção e da quantidade de mercadoria disponível para abastecer os mercados. Enquanto a oferta não se normaliza, o consumidor pode continuar encontrando preços elevados nas próximas semanas.

Alternativas na cozinha

Com o tomate mais caro, adaptar as refeições pode ser uma maneira de economizar sem deixar de consumir alimentos variados. Em saladas, pepino, cenoura, repolho e pimentão são opções que ajudam a substituir ou complementar o ingrediente. Já no preparo de molhos, a cenoura e a abóbora cozidas podem ser utilizadas para dar consistência e sabor às receitas.

Cada alimento possui características nutricionais próprias. Por isso, variar os ingredientes também é uma forma de diversificar a alimentação. Pesquisar os preços em diferentes estabelecimentos, aproveitar produtos da estação e evitar desperdícios são medidas que ajudam a reduzir o impacto da alta no orçamento familiar.




TRBN




Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia