Bahia tem 332 mil empresas inadimplentes; país supera 9,1 milhões
A Bahia chegou a 332.416 empresas inadimplentes em junho deste ano, sétimo maior número entre as unidades da Federação, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No país, o total superou 9,1 milhões de CNPJs, maior marca da série histórica, enquanto as dívidas negativadas alcançaram R$ 232,9 bilhões.
O número de empresas com contas em atraso no Brasil avançou em relação a maio, quando estava em 9 milhões, e também ficou acima dos 7,8 milhões registrados em junho de 2025. Na comparação entre as unidades da Federação, a Bahia aparece atrás de São Paulo, com 3.126.658 empresas inadimplentes, Minas Gerais, com 907.558, Rio de Janeiro, com 874.385, Paraná, com 601.986, Rio Grande do Sul, com 527.555, e Santa Catarina, com 436.149.
Entre os estados do Nordeste, a Bahia registrou o maior contingente de empresas inadimplentes em junho, seguida por Pernambuco, com 216.291 CNPJs, e Ceará, com 193.396. Maranhão aparece depois, com 119.250 empresas, enquanto Paraíba tinha 92.381, Rio Grande do Norte, 92.167, Alagoas, 60.253, Piauí, 58.488, e Sergipe, 41.071. Cada empresa inadimplente acumulava, em média, 7,3 contas em atraso em junho, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.515,77. O número de dívidas negativadas chegou a 66,2 milhões, ante 65,4 milhões em maio e 57,4 milhões no mesmo mês do ano passado.
Avanço
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, atribui o avanço da inadimplência às condições de crédito e ao ritmo da atividade econômica. “Os dados mostram que a inadimplência segue avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic. Isso acontece porque as condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito. Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirma.
As micro e pequenas empresas responderam pela maior parte dos CNPJs inadimplentes no país, com 8,6 milhões de negócios negativados em junho. O grupo acumulava 59,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 201,4 bilhões, com média de 6,9 contas em atraso por empresa, dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47.
Serviços concentram inadimplentes
O setor de serviços reunia 55,7% das empresas negativadas em junho, acima dos 55,6% registrados em maio e dos 53,8% de junho do ano passado. O comércio respondia por 32,2% dos CNPJs inadimplentes, seguido pela indústria, com 8%, pelo setor primário, com 0,9%, e por outros segmentos, com 3,1%.
A distribuição das dívidas por origem também teve os serviços na primeira posição, com 31,6% do total, ante 31,8% em junho de 2025. Bancos e cartões respondiam por 19,5%, enquanto cooperativas concentravam 8,4%, utilities, 6,9%, telefonia, 6%, financeiras, 4,5%, varejo, 3,3%, e securitizadoras, 1,6%. "A composição das dívidas reforça que muitas empresas continuam recorrendo ao crédito para sustentar a operação e administrar o capital de giro, e não necessariamente para investir ou expandir os negócios. Em um ambiente de crédito mais seletivo, reorganizar esses compromissos financeiros se torna mais difícil, o que prolonga o processo de regularização e contribui para a manutenção de um estoque elevado de inadimplência", explica Abdelmalack.
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia