Setembro Amarelo: sofrimento emocional nem sempre aparece como um pedido de ajuda

Por Nossa Hora
Sexta-Feira, 04 de Setembro de 2026 às 07:55
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Nem sempre o sofrimento emocional chega acompanhado de um pedido explícito de ajuda. Às vezes, ele aparece em uma mudança repentina de comportamento, no afastamento de pessoas próximas, na alteração do sono, em uma irritação que antes não existia ou até na perda de interesse por atividades que costumavam fazer parte da rotina.

 

Durante o Setembro Amarelo, a campanha reforça a importância de ampliar o olhar sobre a saúde mental e de manter essa discussão em pauta, não apenas em um mês específico. Esse cuidado e essa atenção precisam ser contínuos, considerando os diferentes fatores que podem impactar o bem-estar emocional no cotidiano, como relações, rotina, trabalho e vínculos.

 

Para Fabiana Kubiak, coordenadora do curso de Psicologia da Afya Salvador, a atenção à saúde mental não deve se concentrar apenas no período da campanha. A prevenção precisa fazer parte do cotidiano, ao longo do ano todo e não apenas durante a campanha do Setembro Amarelo,  com atenção aos sinais de sofrimento e às condições que influenciam o bem-estar emocional. Cuidar da saúde mental não significa esperar que uma situação se agrave para então procurar ajuda.

 

"Uma perspectiva de prevenção precisa olhar para o processo e para as condições que produzem ou intensificam o sofrimento, e não somente para o momento de crise. Não podemos reduzir o suicídio a uma doença, a um diagnóstico ou a uma característica individual. Condições de vida, relações familiares e comunitárias, situações de violência, perdas, discriminações, precarização do trabalho, isolamento social e desigualdades também podem participar da produção desse sofrimento", alerta.

 

Para Fabiana Kubiak, uma ampla rede de atendimento é apenas uma parte do cuidado. A disposição para perceber o outro e criar espaços seguros de conversa também é fundamental. O diálogo cuidadoso, segundo ela, pode diminuir o isolamento e favorecer a busca por ajuda, mesmo quando não há uma resposta pronta para cada situação.

 

"Uma das formas mais importantes de prevenção é recuperar a capacidade de conversar sobre o sofrimento sem transformar imediatamente a conversa em uma tentativa de consertar a pessoa, transformar em interrogatório ou comparar sofrimentos", destaca a coordenadora do curso de Psicologia da Afya Salvador.

 

Para ela, cuidar da saúde mental também passa por reconhecer situações que fazem parte do cotidiano, como a ansiedade, o excesso de cobrança e mudanças no comportamento de alguém próximo. Mais do que esperar que esses sinais se agravem, é importante construir relações mais saudáveis e espaços em que seja possível falar sobre o que se sente e buscar ajuda.

 

"O cuidado com a saúde mental não deve começar apenas quando a pessoa chega a uma situação de crise, pois, aí, ela já enfrentou um longo processo de sofrimento. A prevenção precisa estar presente no cotidiano e isso significa fortalecer vínculos, ampliar espaços de escuta, enfrentar situações de violência e discriminação e garantir acesso a políticas públicas que produzam proteção social", afirma. 

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