Saiba por que a Bahia lidera a venda de consórcios de motos no Brasil, com quase 100 mil cotas em seis meses

Por Nossa Hora
Quarta-Feira, 28 de Outubro de 2026 às 07:15
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Durante 12 anos, a motocicleta de José Vaz foi essencial para ir ao trabalho e cumprir os compromissos do dia a dia. Quando o veículo começou a envelhecer, o barbeiro passou a considerar a troca, mas decidiu planejar a compra antes de dar o próximo passo. A experiência dele ajuda a ilustrar o avanço dos consórcios de motocicletas na Bahia, estado que liderou as adesões à modalidade no primeiro semestre de 2026.

Entre janeiro e junho, foram comercializadas 98.394 cotas de consórcio de motocicletas na Bahia, alta de 17,4% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior volume do país, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

No mesmo intervalo, foram registradas 41.206 contemplações no segmento. Pela metodologia da entidade, esse número correspondeu a uma participação potencial de 50,2% em relação às motocicletas comercializadas no mercado baiano no semestre. O indicador não significa que metade das motos vendidas tenha sido efetivamente adquirida por consórcio, já que o crédito contemplado pode ser utilizado posteriormente, mas dimensiona a presença da modalidade no estado.

Para Thiago Savian, diretor comercial da Unifisa, o crescimento é significativo porque ocorreu mesmo com a Bahia já ocupando a primeira posição nacional em volume de cotas. “O dado que chama atenção é que a Bahia cresceu 17,4% mesmo partindo de uma base que já era a maior do país. Quando olhamos também para as 41,2 mil contemplações, que representaram uma participação potencial de 50,2% sobre as motocicletas comercializadas no estado, vemos o espaço que o consórcio já ocupa nesse mercado. É um consumidor que tem uma relação muito prática com a moto e, por isso, o planejamento dessa compra ganha um peso importante”, analisa.

Planejamento para trocar de motocicleta

José conheceu melhor o consórcio por meio de Mário Alves, vendedor da unidade de Salvador da Unifisa e cliente de sua barbearia. Como tinha uma motocicleta quitada e dependia dela para a rotina, organizou a troca considerando o período em que ficaria sem o veículo.

Segundo Mário, o planejamento levou em conta o prazo para vender a moto antiga e a possibilidade de usar o dinheiro da venda para ofertar um lance. José pagou as seis primeiras parcelas, apresentou o lance no período programado e foi contemplado. Entre a venda da motocicleta antiga e a chegada da nova, ficou cerca de seis meses sem o veículo.

“No começo, eu tinha aquela impressão de que o consórcio demorava e isso me deixava com receio. Quando fui entendendo melhor como funcionava, passei a enxergar de outro jeito. O mais importante para mim era conseguir me organizar para fazer a troca sem me atrapalhar financeiramente e continuar com uma moto para a minha rotina”, conta José.

Motocicleta também é ferramenta de trabalho

A importância das duas rodas aparece em diferentes perfis de consumidores, especialmente entre pessoas que dependem da motocicleta para se deslocar ou complementar a renda. Segundo Mário, esse é um cenário comum em Salvador. “Tem muito disso aqui em Salvador. Muitos clientes estão utilizando para locomoção e renda extra”, afirma. Ele relata casos de pessoas que usam a moto para chegar ao emprego e, antes ou depois do expediente, realizam entregas ou corridas por aplicativos.

Dados da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), ajudam a dimensionar esse mercado. Levantamento elaborado com base em microdados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o número de trabalhadores que atuam no transporte por aplicativo na Bahia, considerando diferentes tipos de veículos, passou de 50 mil, em 2022, para 76 mil, em 2024. O aumento foi de 52,9%.

O estado também mantém o projeto Condução Decente, que prevê a qualificação de 6,5 mil mototaxistas e motofretistas em 75 municípios. Profissionais habilitados podem ter acesso a uma linha de crédito para a aquisição de motocicletas novas. Para José, a principal função da moto continua sendo facilitar a rotina. Depois de passar alguns meses sem o veículo, ele conta que voltou a ter mais agilidade para trabalhar e resolver as tarefas do dia a dia.




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