Desafios com o fim da 6x1 para o setor de franquias

Por Nossa Hora
Segunda-Feira, 02 de Novembro de 2026 às 08:14
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A busca por eficiência tecnológica ganha ainda mais relevância diante das discussões sobre as mudanças na jornada de trabalho. De acordo com Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, uma eventual mudança para a escala 5x2 pode provocar impacto nas despesas das unidades, especialmente nas operações de menor porte.

O executivo ressalta que lojas com apenas dois ou três funcionários podem precisar ampliar significativamente o quadro de colaboradores para manter o funcionamento. Nesses casos, o incremento de custos é de cerca 50%, enquanto, em outras operações, o impacto pode ficar entre 10% e 20%. "O pequeno sofre mais nesse momento", afirma.

Nesse contexto, ferramentas de inteligência artificial (IA) podem ajudar no planejamento das escalas, no dimensionamento das equipes e na identificação dos horários de maior movimento. A proposta é organizar melhor os recursos disponíveis e evitar que a operação mantenha uma estrutura incompatível com a demanda.

A tecnologia, entretanto, não elimina a necessidade de mão de obra. O desafio é encontrar um equilíbrio entre automação, produtividade e atendimento, preservando a qualidade do serviço oferecido ao consumidor.

Planejamento

Embora as ferramentas estejam mais acessíveis, a adoção da IA ainda enfrenta obstáculos. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), as principais dificuldades apontadas pelas franqueadoras são a falta de conhecimento técnico interno (47%), a dificuldade de integração com sistemas existentes (39%) e os custos de implementação (38%).

Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, o investimento não precisa começar com grandes projetos. Muitas ferramentas oferecem modelos gratuitos ou planos que permitem testar funcionalidades antes de contratar assinaturas ou ampliar o uso. Além disso, os custos podem variar conforme a demanda, o que torna a inteligência artificial mais associada a despesas variáveis do que a investimentos fixos tradicionais em software. Ele pondera, no entanto, que não existe um prazo universal para o retorno financeiro. O resultado depende da aplicação escolhida, do problema que se pretende resolver e da maneira como a ferramenta é implementada.

Um dos principais erros, na avaliação dele, é adotar a tecnologia apenas para acompanhar uma tendência de mercado, sem estabelecer objetivos e indicadores de desempenho. "O segredo está em ter clareza sobre o que se pretende atacar ou resolver e, principalmente, estabelecer métricas e indicadores para avaliar os resultados", afirma Igreja, citando uma pesquisa recente na qual apenas cerca de 7% das empresas, franquias ou não, possuem indicadores para medir o retorno sobre o investimento em inteligência artificial.

Diante da ausência de métricas, é mais dificil saber se uma iniciativa realmente trouxe ganhos ou se a percepção de sucesso está baseada apenas no chamado gut feeling, ou seja, na impressão de que a ferramenta está funcionando. A recomendação é definir previamente o problema que será enfrentado e acompanhar indicadores como redução de desperdícios, tempo de atendimento, produtividade, conversão de vendas e evolução das margens.

Reforma tributária

Além das mudanças na jornada de trabalho, a reforma tributária representa outra frente de preocupação para o franchising. O presidente da ABF, Tom Leite, avalia que a transição do sistema de impostos tende a ampliar a atenção dos empresários, especialmente aqueles que atuam no setor de serviços.

Segundo ele, a introdução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para 2027 em substituição às contribuições federais de PIS-Cofins, representa uma mudança importante para as empresas. O dirigente ressalta que há franqueadoras enquadradas no lucro presumido e que a alteração exige atenção à composição da carga tributária e aos efeitos sobre os negócios. A avaliação é de que as mudanças não atingem apenas os franqueadores, mas também os demais empresários que integram a cadeia do setor.

Nesse cenário, a inteligência artificial pode funcionar como uma ferramenta de apoio à gestão financeira, permitindo simular cenários, acompanhar despesas e identificar oportunidades de eficiência. A tecnologia não substitui o planejamento tributário nem resolve, por si só, o aumento de custos, mas pode ajudar o empresário a compreender melhor os impactos sobre a operação.

Para os franqueados, a questão deixa de ser simplesmente acompanhar a corrida pela inovação. O desafio passa a ser identificar onde a tecnologia pode gerar economia, melhorar a produtividade e preservar a rentabilidade. Em um ambiente de margens pressionadas, a IA pode representar uma ferramenta de proteção do investimento, desde que esteja vinculada a problemas concretos, profissionais capacitados e resultados mensuráveis.




Correio Braziliense




Crédito: Capital S/A