Bahia tem 12 cursos de Medicina entre os piores do país e MEC anuncia medidas

Por Nossa Hora
Quarta-Feira, 21 de Janeiro de 2026 às 09:14
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Diversos cursos de Medicina baianos tiveram desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Dos 26 cursos avaliados no estado, 12 receberam conceito 2 e integram a lista dos 100 cursos com pior avaliação no país.

Os cursos com notas baixas estão sujeitos a medidas de supervisão, que incluem: restrição ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), proibição de abertura de novas vagas e, em casos mais graves, redução ou suspensão do ingresso de estudantes. As ações fazem parte de um conjunto de medidas adotadas pelo MEC para assegurar a qualidade da formação médica no Brasil. Entre os cursos baianos com melhor desempenho, quatro alcançaram conceito máximo 5 no Enamed.

São eles: a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus; a Universidade Federal da Bahia (Ufba), no campus de Vitória da Conquista; a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), também em Vitória da Conquista; e a Fundação Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Paulo Afonso. Outras sete instituições do estado obtiveram conceito 4, considerado satisfatório.

A lista inclui: a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) e a Ufba, nos campi de Salvador; o Centro Universitário FG (Unifg), em Guanambi; a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs); a Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), em Barreiras; e a Uesb, no campus de Jequié.

Com conceito 3, patamar intermediário de desempenho, aparecem três cursos baianos. São eles: a Universidade Salvador (Unifacs), em Salvador; a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Santo Antônio de Jesus; e a Afya Faculdade de Ciências Médicas, no município de Guanambi.

Já entre os cursos avaliados com conceito 2, considerados insatisfatórios pelo Inep, estão: o Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), em Barreiras; o Centro Universitário Zarns, em Salvador; o Centro Universitário Unime, em Lauro de Freitas; e as Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia (Unesulbahia), em Eunápolis. Também figuram nessa faixa a Afya Faculdade de Ciências Médicas, em Vitória da Conquista; a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Teixeira de Freitas; a Faculdade Pitágoras de Medicina, em Eunápolis; e a Faculdade Estácio, no município de Alagoinhas; a Afya Faculdade de Ciências Médicas, em Itabuna; a Faculdade AGES de Medicina, em Jacobina; a Faculdade Estácio, em Juazeiro; e a Faculdade AGES de Medicina, em Irecê.

O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) voltada exclusivamente para os cursos de Medicina e passou a ser aplicado anualmente desde o ano passado. O exame avalia se os concluintes dominam os conhecimentos, habilidades e competências esperadas ao final da graduação, utilizando uma escala de conceitos que vai de 1 a 5.

Segundo o MEC, cursos que obtêm conceitos 1 e 2 entram automaticamente em processos de supervisão conduzidos pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). As medidas aplicadas variam conforme o percentual de estudantes considerados proficientes, podendo incluir desde a proibição de ampliar vagas até a suspensão de novos ingressos.

Conforme o ministro da Educação, Camilo Santana, o Enamed tem papel estratégico para o diagnóstico da formação médica no país, mostrando as instituições que estão tendo um bom desempenho e que precisam melhorar. “Há uma grande preocupação nos ministérios da Educação e da Saúde em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica nesse país, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas”, afirmou.

Santana destacou que os resultados do Enamed mostraram que 85% dos cursos municipais foram considerados insatisfatórios e ressaltou que mais de 80% dos cursos superiores de medicina no Brasil são oferecidos por instituições de ensino superior privadas e que as instituições que cobram mensalidade dos alunos devem apresentar qualidade no ensino. “O que estamos avaliando é se os cursos têm uma boa infraestrutura, se eles têm monitoria, laboratório, se têm bons professores. E isso a gente só pode fazer avaliando os resultados e, também, dialogando com as instituições para que possam melhorar”, considerou.

Sobre as medidas aplicadas às universidades cujos concluintes não atingiram o nível mínimo de aprendizagem ao final do curso — como a supervisão ou a suspensão das graduações —, Santana destacou que nenhum aluno será prejudicado. Segundo ele, o objetivo “não é aplicar sanções ou penalidades intencionais a qualquer instituição, mas assegurar a formação de médicos de qualidade no Brasil”.

O MEC também reforçou que nenhum aluno será prejudicado diretamente pelas medidas de supervisão. As instituições notificadas poderão apresentar manifestação e solicitar prazo para corrigir deficiências identificadas, enquanto as medidas cautelares permanecem válidas até a divulgação do próximo ciclo avaliativo. De acordo com o Inep, o Enamed 2025 avaliou 89.024 estudantes e profissionais de Medicina em todo o país, dos quais 75% apresentaram desempenho considerado proficiente.

Entre os estudantes concluintes, o índice de proficiência foi de 67%, enquanto entre médicos já formados inscritos no Enare o percentual chegou a 81%. Além de avaliar a qualidade da graduação, o Enamed também passou a ser utilizado como critério de acesso aos programas de residência médica por meio do Enare. Para o MEC, a integração entre os exames amplia o engajamento dos estudantes, melhora a qualidade dos dados e fortalece as políticas públicas voltadas à formação médica e ao atendimento no Sistema Único de Saúde.



Foto: Acervo Bracell