AO SOM DA SANFONA, MEMÓRIAS VOLTAM A VIVER: ensaio de grupo nordestino emociona idosos e transforma tarde comum em viagem ao passado

Por Nossa Hora
Sexta-Feira, 12 de Junho de 2026 às 19:30
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O que seria apenas mais um ensaio para os festejos juninos transformou-se em uma experiência inesquecível para dezenas de idosos. O grupo Sivirino e Sua Catrupia escolheu um lar de acolhimento para realizar um dos ensaios do projeto Gonzagueando pelo Nordeste e acabou proporcionando uma tarde repleta de emoção, lembranças e reencontros com o passado.

Logo nos primeiros acordes da sanfona, algo especial começou a acontecer.

Alguns idosos permaneceram sentados, em silêncio, observando atentamente cada música. Outros acompanhavam o ritmo com os pés ou batiam as mãos suavemente, como quem reconhece uma velha amiga chegando de surpresa. Houve quem não resistisse e levantasse para dançar, revivendo passos que pareciam guardados apenas na memória.

Mas talvez os momentos mais emocionantes tenham sido aqueles em que os próprios idosos começaram a pedir músicas.

Canções que fizeram parte da juventude de muitos deles voltaram a ecoar pelo ambiente. Cada pedido carregava uma história. Algumas músicas lembravam os antigos bailes de forró. Outras traziam à memória festas de São João realizadas em pequenas comunidades do interior. Havia ainda aquelas que remetiam aos tempos de namoro, aos encontros familiares e às celebrações que marcaram épocas importantes da vida.

À medida que as canções eram executadas, os rostos pareciam se iluminar. Sorrisos surgiam espontaneamente. Olhares se perdiam em lembranças distantes. Em alguns momentos, a emoção falava mais alto que as palavras.

A música, mais uma vez, mostrou sua capacidade de atravessar o tempo.

Para os integrantes do grupo Sivirino e Sua Catrupia, a experiência foi tão marcante quanto para os próprios idosos. O ensaio deixou de ser apenas uma preparação para apresentações futuras e se transformou em uma ação de valorização humana, respeito e afeto.

O encontro reforçou uma das propostas do projeto Gonzagueando pelo Nordeste: utilizar a cultura popular como ferramenta de aproximação entre gerações, preservando não apenas as músicas de Luiz Gonzaga e dos grandes mestres do forró, mas também as histórias de vida de quem ajudou a construir a identidade cultural nordestina.

Mais do que entretenimento, a tarde tornou-se um verdadeiro resgate de memórias.

Enquanto a sanfona tocava, era possível perceber que cada idoso vivia aquele momento à sua maneira. Uns cantavam baixinho. Outros observavam em silêncio. Alguns sorriam discretamente. Outros dançavam sem se preocupar com o tempo ou com a idade.

Todos, porém, compartilhavam algo em comum: a música havia despertado lembranças especiais que permaneciam guardadas no coração.

Em um mundo cada vez mais acelerado, o gesto simples de levar o forró até um lar para idosos mostrou que cultura também é cuidado, acolhimento e respeito à história de cada pessoa.

Ao final do ensaio, ficaram as canções, os sorrisos e a certeza de que certas melodias jamais envelhecem. Elas apenas esperam o momento certo para fazer o coração voltar a dançar.