Salvador aparece entre as quatro capitais com pior qualidade de vida no IPS

Por Nossa Hora
Quinta-Feira, 21 de Maio de 2026 às 10:31
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Salvador é a quarta capital brasileira com pior qualidade de vida, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). A capital baiana aparece na 24ª colocação entre as 27 capitais avaliadas, com 62,18 pontos em uma escala de 0 a 100, ficando à frente apenas de Maceió (AL), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).

O levantamento avaliou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais. Entre as capitais, Curitiba (PR) lidera o ranking nacional, com 71,29 pontos, seguida por Brasília (DF), com 70,73, e São Paulo (SP), com 70,64.

Os dados do IPS mostram diferenças relevantes nos níveis de qualidade de vida entre os grandes centros urbanos do país. A distância entre Curitiba, primeira colocada, e Porto Velho, última capital do ranking, ultrapassa 12 pontos, evidenciando desigualdades regionais no acesso a serviços e condições sociais.

Em Salvador, o pior desempenho está relacionado à dimensão de Necessidades Humanas Básicas, que reúne indicadores ligados à nutrição, cuidados médicos básicos, água e saneamento, moradia e segurança pessoal. O índice considera resultados concretos na vida da população, e não o volume de investimentos públicos ou indicadores econômicos. “Ou seja, o IPS mede resultados e não volume de investimentos, ou riquezas, nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato, sendo entregues aos cidadãos”, afirmou Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.

Segundo ela, mesmo capitais com desempenho melhor no ranking apresentam dificuldades em áreas ligadas à inclusão social. “Apesar do bom desempenho das capitais, todas apresentam sérias dificuldades no componente de inclusão social, com altos índices de violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais”, disse Wilm. No ranking dos estados, a Bahia aparece na 22ª posição nacional, com 58,72 pontos.

O estado ficou atrás de unidades da federação como Ceará, Pernambuco e Tocantins, e à frente apenas de Rondônia, Amapá, Acre, Maranhão e Pará. A Bahia ficou atrás de outros estados nordestinos no levantamento. Ceará apareceu na 15ª posição nacional, com 61,22 pontos, Pernambuco ficou em 16º, com 60,58, e a Paraíba foi o estado do Nordeste mais bem colocado no ranking nacional, ocupando a 11ª posição, com 62,39 pontos.

O levantamento também identificou dificuldades comuns entre as capitais brasileiras no componente de Inclusão Social. Segundo o IPS, os indicadores refletem problemas relacionados à violência contra minorias, população em situação de rua e baixa representatividade de mulheres e pessoas negras nas câmaras municipais. A dimensão Oportunidades apresentou a menor média nacional do índice, com 46,82 pontos. O IPS Brasil 2026 aponta média nacional de 63,40 pontos.

Entre os componentes avaliados, Moradia registrou a maior pontuação média no país, com 87,95 pontos, enquanto Direitos Individuais teve o pior desempenho, com 39,14. O índice é elaborado a partir de dados públicos e organizado em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. O estudo é desenvolvido por uma parceria entre Imazon, Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative. 

Por Livia Veiga

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil