Salvador tem duas das maiores favelas do Brasil, aponta IBGE
Localidades de Beiru/Tancredo Neves e Pernambués estão entre as mais populosas do país, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3).
As favelas de Beiru/Tancredo Neves e Pernambués, em Salvador, estão entre as maiores do Brasil em número de moradores, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3).
Com 38.871 habitantes, Beiru/Tancredo Neves é a favela mais populosa da Bahia e a 10ª maior do país. Logo em seguida aparece Pernambués, com 35.110 moradores, ocupando a 11ª posição nacional.
Segundo o IBGE, são consideradas favelas as localidades onde predominam domicílios com insegurança jurídica da posse e que apresentem pelo menos uma característica relacionada à precariedade urbana, como deficiência de serviços públicos, infraestrutura construída fora dos padrões urbanísticos definidos pelo poder público ou ocupação de áreas não permitidas por lei.
O levantamento mostra que as cinco maiores favelas baianas estão localizados na capital. Além de Beiru/Tancredo Neves e Pernambués, o ranking estadual é formado por Valéria (21.635 moradores), Bairro da Paz (20.509) e Santa Cruz (19.833).
Retrato das periferias na Bahia
Fora de Salvador, a maior favela da Bahia é Teotônio Vilela, em Ilhéus, que contabilizou 12.788 habitantes em 2022.
O Censo identificou 572 favelas na Bahia, o equivalente a 4,6% das 12.348 áreas desse tipo existentes no Brasil. O estado possui o oitavo maior número de favelas do país.
Dos 417 municípios baianos, apenas 28 registraram a presença dessas áreas. Salvador concentra 262 favelas, quase metade do total estadual (45,8%), e aparece como a quinta cidade brasileira com maior quantidade dessas localidades. Na sequência, considerando apenas o cenário na Bahia, estão Feira de Santana (49 favelas), Camaçari (47), Lauro de Freitas (35) e Itabuna (34).
Os dados também revelam que 1,37 milhão de pessoas viviam em favelas na Bahia em 2022, representando 9,7% da população do estado. Com esse contingente, a Bahia possui a quarta maior população residente em favelas do Brasil.
Salvador concentra a maior parte desses moradores. A capital registrou 1.033.258 pessoas vivendo em favelas — número que corresponde a 42,7% da população municipal. Em outras palavras, mais de quatro em cada 10 moradores da cidade vivem nessas áreas.
Depois de Salvador, os municípios baianos com mais habitantes em favelas são Ilhéus (64.364), Camaçari (54.526), Feira de Santana (44.699) e Lauro de Freitas (42.079).
Favela mais jovem, feminina e muito mais preta
O levantamento aponta ainda diferenças importantes entre a população residente em favelas e o conjunto da população baiana.
Nas favelas do estado, as mulheres representam 53,4% dos moradores — percentual superior ao observado na população geral da Bahia (51,7%). Já a população idosa é menor: 12,7% têm 60 anos ou mais, contra 15,3% no estado como um todo.
A proporção de pessoas que se autodeclaram pretas também é significativamente maior. Entre os moradores de favelas, 39,2% se identificam como pretos, percentual quase duas vezes superior ao registrado na população baiana em geral (22,4%).
Infraestrutura mais precária
O estudo também evidencia desigualdades no acesso à infraestrutura urbana. Nas favelas baianas, apenas 40,1% dos moradores vivem em ruas com calçadas ou passeios, enquanto fora dessas áreas o percentual chega a 78,8%.
A arborização também é mais escassa. Cerca de 74,5% dos moradores de favelas vivem em ruas sem árvores, ante 51,8% da população que reside fora desses territórios.
Outro indicador que revela dificuldades de acessibilidade é a presença de rampas para cadeirantes. Apenas 1,5% dos moradores de favelas vivem em vias com esse tipo de estrutura, índice muito inferior aos 10,9% observados nas demais áreas urbanas do estado.
Veja a lista das 20 maiores do país em quantidade de moradores:
Rocinha – Rio de Janeiro (RJ), 72 021
Sol Nascente – Brasília (DF), 70 908
Paraisópolis – São Paulo (SP), 58 527
Cidade de Deus/Alfredo Nascimento – Manaus (AM), 55 821
Rio das Pedras – Rio de Janeiro (RJ), 55 653
Heliópolis – São Paulo (SP), 55 583
Comunidade São Lucas – Manaus (AM), 53 674
Coroadinho – São Luís (MA), 51 050
Baixadas da Estrada Nova Jurunas – Belém (PA), 43 105
10) Beiru / Tancredo Neves – Salvador (BA), 38 871
11) Pernambués – Salvador (BA), 35 110
12) Zumbi dos Palmares/Nova Luz – Manaus (AM), 34 706
13) Santa Etelvina – Manaus (AM), 33 031
14) Baixadas da Condor – Belém (PA), 31 321
15) Colônia Terra Nova – Manaus (AM), 30 142
16) Jacarezinho – Rio de Janeiro (RJ), 29 766
17) Vila São Pedro – São Bernardo do Campo (SP), 28 466
18) Cidade Olímpica – São Luís (MA), 27 326
19) Chafik / Macuco – Mauá (SP), 26 835
20) Grande Vitória – Manaus (AM), 26 733
Domicílios
O Censo também traz o ranking das 20 maiores favelas em número de domicílios particulares permanentes ocupados. Elas representam 5,3% do total de 295.009 domicílios nas comunidades espalhadas pelo país.
Novamente, a Rocinha lidera o ranking com mais que o triplo de domicílios da 20ª colocada (Colônia Terra Nova, Manaus). Apenas as paulistas Vila São Pedro, Chafik/Macuco e Jardim Oratório não estão localizadas em capitais.
Veja a lista das 20 maiores em quantidade de domicílios:
Rocinha – Rio de Janeiro (RJ), 30 371
Rio das Pedras – Rio de Janeiro (RJ), 23 846
Sol Nascente – Brasília (DF), 21 889
Paraisópolis – São Paulo (SP), 21 442
Heliópolis – São Paulo (SP), 20 205
Coroadinho – São Luís (MA), 16 741
Cidade de Deus/Alfredo Nascimento – Manaus (AM), 15 872
Beiru / Tancredo Neves – Salvador (BA), 15 618
Comunidade São Lucas – Manaus (AM), 15 469
10) Pernambués – Salvador (BA), 14 649
11) Baixadas da Estrada Nova Jurunas – Belém (PA), 13 077
12) Jacarezinho – Rio de Janeiro (RJ), 10 936
13) Vila São Pedro – São Bernado do Campo (SP), 10 273
14) Zumbi dos Palmares/Nova Luz – Manaus (AM), 9 720
15) Baixadas da Condor – Belém (PA), 9 638
16) Santa Etelvina – Manaus (AM), 9 301
17) Jardim Oratório – Mauá (SP), 9 189
18) Chafik / Macuco – Mauá (SP), 9 158
19) Cidade Olímpica – São Luís (MA), 8 923
20) Colônia Terra Nova – Manaus (AM), 8 692
Extensão
O IBGE apontou também as favelas com maiores extensões territoriais. Nesse ranqueamento, o Censo ressalta que “não existia uma relação direta entre as áreas territoriais das favelas e comunidades urbanas e o número de residentes e de domicílios nesses territórios”.
Ou seja, ter mais área não significa necessariamente ter mais casas, assim como ter mais casas não é certeza de ter mais moradores. A Rocinha, por exemplo, apesar de ter o maior número de domicílios e de moradores, sequer consta na lista das 20 maiores favelas em extensão territorial.
Veja a lista das 20 maiores em área (quilômetro quadrado):
26 de Setembro – Brasília (DF), 10,5
Sol Nascente – Brasília (DF), 9,2
Morro da Cruz I e II – Brasília (DF), 5,9
Invasão Água Limpa – Itabirito (MG), 5,7
Valéria – Salvador (BA), 5,5
Coroadinho – São Luís (MA), 5,4
Santa Etelvina – Manaus (AM), 4,8
Parque Estrela – Magé (RJ), 4,6
João de Barro – Boa Vista (RR), 4,6
10) Jardim Progresso – Natal (RN), 4,5
11) Cidade de Deus/Alfredo Nascimento – Manaus (AM), 4,3
12) Baía do Sol – Belém (PA), 4,2
13) Residencial Tiradentes – São Luís (MA), 4,2
14) Gapara – São Luís (MA), 4,1
15) Vila Nestor – São Luís (MA), 4,1
16) Nacional – Porto Velho (RO), 4,1
17) Santa Rita – Feira de Santana (BA), 4,0
18) Barra Alegre – Ipatinga (MG), 3,9
19) Comunidade São Lucas – Manaus (AM), 3,8
20) Água Boa – Belém (PA), 3,8
G1 Bahia / Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Com mais de 72 mil moradores, a comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, é a maior favela do país.