Possível redescoberta de cemitério de Escravizados em Salvador
Um cemitério de escravizados, criado no século 18 e que desapareceu dos registros históricos de Salvador, pode ter sido finalmente redescoberto. Acredita-se que o local esteja situado abaixo do estacionamento da Pupileira, no bairro de Nazaré. O terreno pertence à Santa Casa de Misericórdia da Bahia, que se reuniu com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para discutir as condições necessárias para a realização de uma pesquisa arqueológica e investigar essa possível descoberta histórica.
Cristina Seixas, promotora de Justiça do MP-BA, comentou sobre o papel da instituição nesse processo, destacando a importância de apoiar as pesquisas arqueológicas que buscam confirmar a localização do cemitério. Ela explicou que o MP-BA instaurou um procedimento específico para acompanhar o trabalho das pesquisadoras e demais envolvidos no projeto. "O Ministério Público instaurou um procedimento para acompanhar e apoiar o trabalho das pesquisadoras. Após a assinatura do termo de cooperação entre a Santa Casa, o MP, as pesquisadoras, o IPAM e o IPAC, vamos acompanhar as escavações assim que forem liberadas pelo IPHAN e pelo IPAC", afirmou.
Seixas destacou também a importância de reconhecer o local como patrimônio histórico, caso a existência do cemitério seja confirmada. "Assim que for localizado e reconhecida a existência do cemitério, o local será naturalmente reconhecido como patrimônio histórico, seguindo o processo comum para esses tipos de sítios, como aconteceu com o cemitério do Valongo, no Rio de Janeiro", explicou.
Ela também comentou sobre as providências já adotadas para garantir a preservação da área. "O Ministério Público não está exigindo providências adicionais da Santa Casa, apenas a autorização para a pesquisa. A Santa Casa, o IPAM e o IPAC já estão tomando medidas para preservar a área. O que esperamos é que, uma vez concluídas as escavações e confirmada a existência do cemitério, a área seja protegida pela legislação vigente", disse Cristina Seixas.
Além disso, a promotora afirmou que a comunidade poderá acompanhar de perto o andamento do caso. "A comunidade pode acompanhar o processo. O Ministério Público estará sempre presente, com canais abertos para informações, denúncias ou qualquer violação ao patrimônio histórico", afirmou. Ela reforçou que, por ser uma área privada, a segurança para a preservação da área está garantida pela própria Santa Casa e os demais envolvidos.
O objetivo da pesquisa é confirmar a localização do cemitério, um marco importante para a história do Brasil. "O foco agora é confirmar a localização do cemitério. A partir daí, mais pesquisas serão realizadas para aprofundarmos nosso conhecimento histórico sobre o local", concluiu Cristina Seixas.
TRBN
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