PF troca delegado que investigava Lulinha e desvios no INSS

Por Nossa Hora
Sábado, 16 de Maio de 2026 às 06:34
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A Polícia Federal promoveu uma alteração que substitui o delegado que chefiava o inquérito sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e foi responsável por pedir a realização de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Procurada, a PF afirmou que decidiu transferir o inquérito do INSS do setor no qual ele tramitava, a divisão de repressão a crimes previdenciários, para a estrutura da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro. Com isso, o delegado que chefiava o caso acabou sendo substituído. A PF afirma que fez a mudança para dar maior estrutura e “potencializar recursos” para a investigação.

“A transferência foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a CINQ (a nova área) possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o Supremo Tribunal Federal. Ressalta-se que não houve alteração na equipe que conduz as investigações”, diz a PF, em nota à imprensa.

Até então, o caso estava sendo coordenado pelo delegado-chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF. Foi esse delegado quem pediu, por exemplo, a prisão do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de liderar o esquema de desvios de aposentadorias, e de outros alvos, como parlamentares.

Essa mudança no caso motivou uma reunião do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça com a equipe da PF nesta sexta-feira, 15. O ministro pediu explicações sobre o motivo da troca e ficou incomodado porque não tinha sido informado antes da mudança.

Pessoas que estavam presentes à reunião afirmaram que o ministro alegou que o comando anterior coordenava as negociações sobre delações premiadas.

Na mesma reunião, Mendonça teria cobrado independência no trabalho dos investigadores. Teria avisado que não quer perseguições políticas nem atraso nas apurações para poupar suspeitos.

Em nota, o gabinete do ministro se limitou a informar que a reunião foi realizada para a “atualização do andamento das investigações e apresentação da nova coordenação que cuida da operação sem desconto (caso do INSS)”.

O delegado foi mantido na Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, mas, com a alteração, o caso do INSS foi tirado da sua condução. Com isso, outro delegado que ainda não havia atuado nesse caso é que vai coordenar o conjunto dos inquéritos do INSS. A PF diz que o restante dos delegados e da equipe que atuava no caso foram mantidos e, por isso, não haverá prejuízo ao andamento das investigações.

A condução do caso do INSS vinha gerando críticas da defesa de Lulinha, que afirmava em declarações públicas que não havia fundamentos para que a investigação tomasse medidas contra o filho do presidente.

A PF solicitou, por exemplo, a quebra do sigilo bancário de Lulinha, que foi autorizada por André Mendonça, e produziu relatórios apontando suspeitas em movimentações financeiras de uma amiga dele, a empresário Roberta Luchsinger. As defesas deles negam o envolvimento com irregularidades.

Negócio de cannabis medicinal

O filho do presidente entrou na mira da investigação a partir do depoimento de um ex-funcionário do Careca do INSS, que afirmou ter ouvido falar sobre o pagamento de uma mesada do empresário a Lulinha.

A PF levantou informações e descobriu que o Careca do INSS fechou um contrato com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e pagou R$ 1,5 milhão a ela. Como revelou o Estadão, a Polícia Federal, então, enviou uma petição ao ministro André Mendonça dizendo que começou a apurar se Lulinha seria sócio oculto do Careca do INSS e relatando ter encontrado diversas menções ao filho do presidente.

Posteriormente, a defesa de Lulinha admitiu ao STF que ele viajou a Portugal com despesas pagas pelo Careca do INSS, com o objetivo de prospectar um negócio de cannabis medicinal. A defesa afirmou que o negócio não foi adiante e não houve nenhum contrato ou recebimento de recursos por parte do filho do presidente.

 

Fonte:Estadão

Foto: Divulgação/Ascom