Peixe-leão já foi registrado em pelo menos 10 municípios da Bahia

Por Nossa Hora
Quinta-Feira, 10 de Setembro de 2026 às 11:48
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A presença do peixe-leão já foi registrada em pelo menos 10 municípios da Bahia, do Litoral Norte ao Extremo Sul do estado, segundo a Secretaria do Meio Ambiente (Sema). No sábado (5), exemplares de pequeno porte da espécie exótica invasora foram capturados no Porto da Barra, em Salvador, e encaminhados à Universidade Federal da Bahia (Ufba) para pesquisas.

A ocorrência na Barra reforça o processo de dispersão do peixe-leão ao longo da costa baiana, de acordo com a oceanógrafa da Sema, Mariana Fontoura. A especialista afirma que os registros indicam a necessidade de manter o monitoramento e ampliar as ações de controle da espécie no estado.

Originário dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão foi introduzido no Oceano Atlântico na década de 1980, inicialmente na região da Flórida, nos Estados Unidos. A espécie se estabeleceu em diferentes áreas do Caribe e, a partir dali, espalhou-se pelas correntes marinhas até ultrapassar a pluma de água doce do Rio Amazonas e alcançar o litoral Norte e Nordeste do Brasil.

A expansão também é favorecida pela elevada capacidade reprodutiva, pelo crescimento, pela adaptação a diferentes condições ambientais e pelo hábito alimentar generalista da espécie. Segundo Fontoura, a capacidade de ocupar diferentes habitats e profundidades e a ausência, no Brasil, de predadores naturais conhecidos capazes de controlar efetivamente suas populações também contribuem para a dispersão.

O avanço do peixe-leão representa uma ameaça à biodiversidade da Baía de Todos os Santos e de outras áreas costeiras por causa do comportamento predatório do animal. A espécie consome grande quantidade de peixes, crustáceos e outros organismos, entre eles peixes herbívoros que desempenham papel na manutenção dos ambientes recifais.

A expansão também pode afetar a atividade pesqueira, já que o peixe-leão pode consumir espécies de interesse comercial e competir com animais nativos por alimento. Segundo a oceanógrafa, experiências em regiões invadidas, como as Bahamas, mostram que a presença da espécie pode estar associada à redução da diversidade e da abundância de peixes e a alterações nas comunidades dos recifes.

Além dos impactos ambientais, o peixe-leão exige cuidados por causa dos espinhos venenosos, que podem provocar acidentes quando o animal é tocado, pisado ou manipulado durante uma captura. Entre os sintomas estão dor intensa, inchaço e vermelhidão no local, além de náusea e outros efeitos que podem variar conforme a pessoa e a gravidade do acidente.

Apesar do risco relacionado aos espinhos, o peixe-leão não apresenta comportamento de ataque às pessoas e não há registros oficiais de mortes associadas a acidentes com a espécie. A orientação é evitar o contato direto e não tentar capturar ou manipular o animal sem capacitação adequada.

Ao avistar um peixe-leão, a população pode registrar a ocorrência no Monitoramento Participativo do Peixe-Leão no Litoral da Bahia, mantido pela Sema. As informações sobre avistamentos e capturas são usadas para acompanhar a distribuição da espécie no estado e subsidiar ações de monitoramento, controle e pesquisa. 

Pessoas capacitadas para a captura e o manejo devem colocar o animal em recipiente rígido e seguro, que impeça fugas e perfurações, e encaminhá-lo a um órgão ambiental ou instituição de pesquisa parceira. A Sema orienta manter o exemplar em cooler, isopor ou balde com gelo e alerta que os espinhos continuam venenosos mesmo depois da morte do peixe.

Quando não for possível entregar o exemplar, os espinhos devem ser retirados com cuidado e o peixe descartado de forma segura em recipiente rígido, sem que seja devolvido ao mar. Em casos de captura acidental, a recomendação é comunicar a ocorrência aos órgãos ambientais responsáveis.


Em caso de acidente, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente, com a informação de que houve contato com um peixe-leão. Não se deve fazer torniquete, cortes, perfurações ou sucção, enquanto a aplicação de compressa de água quente por aproximadamente 30 a 40 minutos, ou pelo tempo tolerado pela pessoa, pode ajudar a reduzir a ação do veneno e aliviar a dor, conforme orientação citada pela Sema.

No último dia 3, a Sema promoveu um curso de manejo seguro do peixe-leão com gestores públicos, pesquisadores, pescadores artesanais, mergulhadores e outros profissionais que atuam no litoral. A capacitação abordou identificação, monitoramento, registro, captura, transporte e destinação da espécie, além da prevenção e resposta a acidentes.

A secretaria pretende ampliar as capacitações e priorizar os locais onde já houve ocorrência do peixe-leão. A próxima edição do curso está prevista para novembro, em Porto Seguro.

Por Livia Veiga

Foto: Divulgação