EUA decidem classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Por Nossa Hora
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2026 às 22:26
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O governo americano anunciou, nesta quinta-feira (28) à noite, que os Estados Unidos decidiram classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Essa é uma decisão tomada pelo Departamento de Estado americano. Ela foi anunciada por volta das 19h. São duas classificações diferentes: a primeira é a designação do Comando Vermelho e do PCC como "Terroristas Globais Especialmente Designados". Essa começa a valer já a partir desta quinta-feira (28). A segunda é a classificação como "Organizações Terroristas Estrangeiras". Essa, segundo o Departamento de Estado, vai começar a valer a partir do dia 5 de junho.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado Marco Rubio, a autoridade máxima da diplomacia americana. Ele publicou em uma rede social:

  "O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. O alcance delas se estende por toda a nossa região e para dentro do nosso país”.

E anunciou:

  "Hoje, designei essas organizações como 'Organizações Terroristas Estrangeiras' e 'Terroristas Globais Especialmente Designados'”.

Marco Rubio concluiu:

  "O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”.

Segundo o comunicado do Departamento de Estado, a classificação como "Terroristas Globais Especialmente Designados" já está valendo a partir desta quinta-feira (28). E como "Organizações Terroristas Estrangeiras", começa a valer a partir do dia 5 de junho. O departamento afirmou que:

  "Juntos, o Comando Vermelho e o PCC comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros. A ação de hoje tomada pelo Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”.

Pela lei americana, a classificação de "Terroristas Globais Especialmente Designados" abrange grupos organizados, indivíduos, financiadores e empresas que supostamente fazem parte ou dão apoio ao grupo terrorista. Por isso, ela é mais ampla que a designação de "Organização Terrorista Estrangeira".

O anúncio veio um dia depois do encontro de Marco Rubio com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência. Na terça-feira (26), Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump na Casa Branca. Nas duas ocasiões, o senador pediu que o governo americano classificasse as facções criminosas como organizações terroristas.

O governo brasileiro é contra essa designação. Teme que a classificação possa representar um risco de intervenções militares estrangeiras e um risco à soberania brasileira e de sanções. No início de maio, o presidente Lula também esteve na Casa Branca. Naquele dia, Lula disse que os dois não trataram especificamente desse assunto, mas que ele, Lula, reforçou a disposição do governo brasileiro em adotar a cooperação com os americanos na área de segurança. Lula disse que defendeu a criação de um grupo de trabalho com todos os países das Américas para combater o crime organizado.

A designação de organizações criminosas como terroristas é parte da estratégia americana para a região. Foi assim, por exemplo, com cartéis mexicanos e venezuelanos. Trump usou a classificação para buscar um amparo legal para bombardear embarcações no Caribe e invadir a Venezuela.

  "Quando a gente fala de terrorismo, os Estados Unidos possuem uma maior liberdade, ou se dão maior liberdade, de acelerar certas ações militares ou de inteligência que, em alguns casos, podem violar a soberania de outro país. Por se tratar de um tema de terrorismo, existem menos obstáculos e barreiras para autorizar, por exemplo, uma atuação do que quando se trata de uma organização criminosa, entre aspas, comum", diz Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais.

 

Fonte G1

Foto: Kyle Mazza/Anadolu via Getty Images