Bahia dispara no mapa do roubo de cargas em 2026
A Bahia passou a ocupar uma posição de maior alerta no mapa nacional do roubo de cargas no primeiro trimestre de 2026. Dados do Report de Roubo de Cargas, elaborado pela empresa nstech, mostram que o estado saltou de 0,7% para 9,2% dos prejuízos nacionais registrados em operações monitoradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, que integram o ecossistema da companhia. O levantamento considera a participação no valor do prejuízo, e não o número absoluto de ocorrências.
Com o avanço, a Bahia aparece como o terceiro estado com maior percentual de prejuízos no país no período, atrás apenas do Rio de Janeiro, que liderou o ranking com 44%, e de São Paulo, que concentrou 28,1%. No Nordeste, a participação nos prejuízos subiu de 13,7% no primeiro trimestre de 2025 para 20,2% no mesmo período deste ano. No próprio relatório, a nstech afirma que “os prejuízos na Bahia explodiram”, ao comparar o salto de 0,7% para 9,2%.
O crescimento baiano ocorre em meio a uma mudança no perfil do crime logístico no Brasil. De acordo com a nstech, o roubo de cargas deixou de seguir padrões mais previsíveis e passou a operar de forma mais seletiva, com foco em produtos de maior valor agregado, liquidez e facilidade de escoamento no mercado ilegal.
O principal sinal dessa mudança está no avanço dos medicamentos entre os produtos mais visados. No primeiro trimestre de 2025, esse tipo de carga representava 1,7% dos prejuízos. No mesmo período de 2026, passou para 22,3%, ficando atrás apenas das cargas diversas e fracionadas, que lideraram o ranking com 36,6%. O segmento alimentício aparece em seguida, com 21,9%.
De acordo com o vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech, Cristiano Tanganelli, os números indicam uma mudança na lógica das quadrilhas. “O foco dos criminosos não é mais o volume e sim o valor da carga e sua liquidez”, avaliou. Segundo ele, essa migração tem impacto direto sobre a segurança logística, porque aproxima o risco das operações urbanas e da chamada última milha de distribuição.
O levantamento também mostra que 40,4% dos prejuízos do trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão. Dentro dessa faixa de valor, 44,4% das perdas estavam relacionadas ao transporte de medicamentos. Para a nstech, isso indica que o crime passou a mirar menos operações, mas com maior retorno financeiro.
BR-101, BR-116 e BA-093 aparecem entre rotas de atenção
No recorte por rodovias, o relatório aponta que os trechos urbanos concentraram 38,5% dos prejuízos nacionais no primeiro trimestre, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando esse percentual era de 18,9%. Entre as vias, a BR-101 aparece com 21,6% dos prejuízos e a BR-116 com 13%. A BA-093, rodovia estadual baiana, também entrou no ranking, com 3,7%.
O dado sobre a BA-093 aparece com mais força na análise mensal. Em janeiro, a rodovia respondeu por 13,6% dos prejuízos nacionais monitorados, ficando atrás apenas da BR-101, que concentrou 19,4% naquele mês. A BR-116 apareceu em seguida, com 9,3%. Para a nstech, o desenho do risco confirma a concentração em rotas estratégicas que conectam polos de consumo e distribuição.
Embora o relatório não detalhe um ranking específico das rodovias baianas por número de ocorrências, a presença da BR-101, da BR-116 e da BA-093 entre os corredores citados reforça a relevância da Bahia na nova configuração do roubo de cargas. A BR-101 corta o litoral e o sul do estado, enquanto a BR-116 é um dos principais eixos rodoviários de ligação da Bahia com outras regiões do país.
Na Bahia, ações recentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também apontam atenção sobre esses corredores. Em fevereiro, a PRF informou ter intensificado ações de combate ao roubo de cargas na BR-101, no sul do estado, no trecho entre Gandu e Itabuna, após localizar um veículo furtado suspeito de envolvimento em ocorrências na região.
Por Rayllanna Lima
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia